Japan House chega à Paulista para mostrar o “novo Japão”

Com a inauguração marcada para o sábado (6), o centro cultural mostrará a face contemporânea da arte, da gastronomia e da tecnologia do país oriental.

Japan House traz o "novo Japão" para a Avenida Paulista (Leo Martins/Veja SP)

Japan House traz o “novo Japão” para a Avenida Paulista (Leo Martins/Veja SP)

Arigato, irashaimase e onegai são palavras muito empregadas no vocabulário dos frequentadores do bairro da Liberdade. Arriscar a pronúncia desses termos – obrigado, bem-vindo e por favor, respectivamente – faz parte da política de boa vizinhança entre os brasileiros fãs de sushi e mangá e a maior comunidade japonesa instalada fora de seu país de origem, com mais de 1,1 milhão de nativos ou descendentes da etnia.

A partir de sábado (6), o fascínio dos paulistanos pela cultura nipônica promete se renovar com a inauguração da Japan House. No lugar de quimonos, leques e lamparinas de papel milenares, o novo centro cultural vai trazer para um prédio de arquitetura arrojada na Avenida Paulista o que há de mais moderno em arte, design, gastronomia, tecnologia e negócios do Japão.

nO ambicioso projeto do governo japonês, com investimento total de 100 milhões de reais, faz parte de uma iniciativa global que contará com filiais também em cidades como Londres e Los Angeles. Pioneira, a unidade paulistana começou a ser erguida há um ano no numero 52 da Avenida Paulista, quase no cruzamento com a Rua 13 de Maio.

Obra em bambu: arquitetura e design de vanguarda (Rogério Casemiro/Veja SP)

Obra em bambu: arquitetura e design de vanguarda (Rogério Casemiro/Veja SP)

Será a maior inauguração do ano na via, que passará a abrigar também o Instituto Moreira Salles, prometido para o fim de agosto ao custo de 80 milhões de reais, e o Sesc Paulista, ainda sem data de reabertura. Em contraste com os arranha-céus espelhados da região, o desenho do prédio assinado pelo renomado arquiteto Kengo Kuma, responsável pelo estádio dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020, conta com uma fachada de madeira.

As ripas foram encaixadas no estilho dos templos budistas e estão ao lado de um paredão inspirado no cobogó brasileiro. “A Japan House é a ponde entre o Brasil e o Japão”, explica a presidente da instituição, Angela Hirata. Nos 2500 metros quadrados do  prédio de três andares, há espaço expositivos para mostras de arte, biblioteca, lojas, restaurantes, cafeteria, auditório, salas para reuniões comercias e workshops de assuntos diversos relacionados à nação asiática, de medicina e sustentabilidade. 

Para desconstruir qualquer traço da imagem caricata que se tem do país, o espaço minimalista da Japan House foca cores em tons pastel. Também não há paredes ficas: telas feitas de papel artesanal, o washi, se movem em diversas direções para criar ambientes conforme a necessidade. Até mesmo no banheiro o público terá uma experiencia bem fora do comum.

 Equipados com produtos futuristas da marca japonesa Toto, os vasos sanitários, por exemplo, tem assento aquecido e várias modalidades de chuveirinho. Para garantir que o chamado wa, o espirito japonês, esteja presente em todos os detalhes, uma equipe de 22 funcionários da casa passou por um treinamento de omotenashi, a hopitalidade. “O japonês é cortês, acolhedor e muito preocupado com o bem-estar”, conta Elizabeth Wada, pesquisadora e professora da Anhembi Morumbi, que ministrou aulas por lá. “exercitar o sendo de trabalho em equipe foi fundamental” completa.

O curador Marcello Dantas: “O Japão é um lugar inspirador” (Leo Martins/Veja SP)

O curador Marcello Dantas: “O Japão é um lugar inspirador” (Leo Martins/Veja SP)

A direção da programação de ao menos oito exposições anuais no prédio ficou a cargo do curador Marcello Dantas, cujo currículo inclui mostras com os aclamados artistas Antony Gormley, Christian Boltanski e Anish Kapoor. Sua relação com a nação oriental vem desde 1988, quando a visitou pela primeira vez e conheceu a mão de suas filhas.

sAnos depois, em 2009, a primogênita foi estudar em Tóquio. “Visitei o país diversas vezes ao longo de toda a minha vida. Só no ano passado foram seis viagens”, conta ele, que não dispensa quimonos estilizados na hora de se vestir. “Vamos construir um vínculo entre as duas culturas, para que os brasileiros passem a olhar o Japão como um lugar de inspiração”, explica.

Akio Hizume: estrutura sustentável feita com 600 estacas de bambu (Leo Martins/Veja SP)
Akio Hizume: estrutura sustentável feita com 600 estacas de bambu (Leo Martins/Veja SP)

A inauguração será com a mostra Bambu – Histórias de um Japão, com cerca de cinquenta peças feitas com a planta. Há pelo menos 6000 usos catalogados para o material, desde instrumentos de caça atá utensílios para lavar arroz. “Ele é um elemento articulador para abordar assuntos como artes marciais, literatura, vida agrícola e gastronomia”, afirma Dantas.

Três artista cruzaram o m undo para construir obras de grande escala por aqui, Ako Hizume criou uma fórmula baseada na sequência de Fibonacci, matemático italiano da Idade Média, para que sua instalação de 600 estacas e doze faces se firmasse sem nenhuma amarração. “Assim pude montar estruturas arquitetônicas sustentáveis”, explica Hizume, cuja obra estará em exposição na área externa.

A parceria com outros espaços culturais da cidade incluirá o Instituto Tomie Ohtake. “Será muito interessante para nós que o paulistano fique ainda mais familiarizado com a produção artística japonesa”, acredita o direto Ricardo Ohtake, filho da artista japonesa”, acredita o diretos Ricardo Ohtake, filho da artista japonesa radicada no Brasil, morta em 2015, que batiza o local.

No setor de consumo, entre as lojinhas estão a Madoh, especializada em ingredientes regionais, e a Furoshiki, batizada em homenagem ao lenço japonês que pode ser amarrado em formato de bolsas e embalagens. A imersão na cultura japonesa fica mais completa com o restaurante de setenta lugares montado por lá.

O chef Jun Sakamoto foi escolhido para comandar a cozinha. No Junji Sakamoto, os destaques são os teishoku, refeições completas servidas em bandejas. A versão de tonkatsu, o lombo de porco empanado, inclui conservas, guioza e missoshiro, por 70 reais. “Meu objetivo é que as pessoas sitam o gosto do verdadeiro Japão”, afirma Sakamoto.

Junji Sakamoto: Tonkatsu teishoku, por 70 reais (Helena Peixoto/Veja SP)

Junji Sakamoto: Tonkatsu teishoku, por 70 reais (Helena Peixoto/Veja SP)

A. No Imi Café, o menu selecionará chás e doces japoneses, como a tortinha de ganache de chocolate com 54% de cacau e creme de queijo mascarpone (14 reais) finalizada por uma camada de matchá, o chá-verde.

A. Para o próximo ano, a Japan House programa a celebração dos 110 anos da chegada da primeira leva de japoneses por aqui. O marco foi o desembarque em Santos de 781 passageiros do navio Kasato Maru, em 18 de junho de 1908, após 51 duas no mar. De imigrantes escalados para trabalhar no campo eles tornaram-se expoentes (o Museu Histórico da Imigração Japonesa tem mostra em cartaz sobre o assunto).

Torta doce de chá-verde: comida típica nipônica por 14 reais (Helena Peixoto/Veja SP)

Torta doce de chá-verde: comida típica nipônica por 14 reais (Helena Peixoto/Veja SP)

O QUE VEM POR AÍ
Programe-se para as oficinas gratuitas da instituição

9 de maio: palestra “Arte do bambu”, com o especialista Joe Earle
11 de maio: o artesanato e o design japoneses são os temas abordados por Miryon Ko, diretora do museu de Tóquio 21_21 Design Sight
12 de maio: Hiroyuki Hashiguchi, cocurador da mostra de inauguração da Japan House, fala sobre o papel do bambu nos rituais espirituais
13 de maio: na oficina com Hajime Nakatomi, o público aprenderá a criar joias usando bambu
As inscrições devem ser feitas pelo e-mail inscricoes@jhsp.com.br.

Japan House. Avenida Paulista, 52, ☎ 3090-8900, Metrô Brigadeiro. Terça a sábado, 10h às 22h; domingo e feriados, 10h às 18h. Grátis. A partir de sábado (6).

Fonte: Veja São Paulo